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  Instituto Akatu explora limites do sonho de consumo
08/03/2010
 
 

Em campanha desenvolvida pela Lew’LaraTBWA e em parceria com o programa Fantástico, Akatu propõe enquete para desvendar a visão brasileira do consumo

A fim de fomentar reflexão sobre o impacto de tudo aquilo que é consumido, o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, organização não governamental sem fins lucrativos com nove anos de história, procurou a agência Lew’LaraTBWA em busca de uma forma diferente de fazer os brasileiros refletirem sobre o tema. Para isso, a agência criou uma campanha que exacerba o impacto de uma compra, no limite da caricatura. O programa Fantástico, da TV Globo, se interessou pela iniciativa. Assim, as partes simularam a existência de empreendimentos imobiliários de luxo no morro da Urca, no Rio de Janeiro; em ilhas artificiais exclusivamente criadas na Lagoa da Conceição, em Florianópolis e no Lago Paranoá, no Distrito Federal; e nas areias das praias de Boa Viagem, no Recife, e de Pitangueiras, no Guarujá. O resultado mostrou a existência de muitos interessados em adquirir apartamentos, apesar das características fantasiosas dos empreendimentos.

Iniciado em 2009, o projeto foi concretizado como se o empreendimento realmente existisse, com stand de vendas, folhetos, site, anúncio e faixa de promoção em avião, garantindo que os estímulos de persuasão fossem semelhantes aos usados na realidade. A enquete visava conhecer a opinião das pessoas. Havia o pressuposto de que prevaleceria o ponto de vista ético na visão das iniciativas pelas pessoas. Mas não foi essa a reação da maioria. “O interesse de muitos brasileiros em comprar uma unidade em um dos empreendimentos reflete o fato de vivermos em uma sociedade em que as pessoas não sabem o que está por trás do seu próprio consumo”, explica Helio Mattar, diretor presidente do Instituo Akatu.

A aprovação dos empreendimentos do Guarujá, Recife e Florianópolis foi apresentada no último domingo no Fantástico. No litoral de São Paulo, 59% das pessoas gostaram da idéia de construir o prédio nas areias de Pitangueiras, 31% foram contra e apenas 9% não deram opinião sobre o empreendimento. No Recife, 61% aprovaram a iniciativa, 22% a criticaram e 17% não se manifestaram. Já na capital catarinense, 46% preferiam não opinar, 41% foram a favor e 12% foram contra. No próximo domingo, o programa irá mostrar os resultados de Brasília e Rio de Janeiro.

Esses resultados deixam claro que, ainda que em uma situação caricatural, a maioria dos brasileiros não faz a relação entre o consumo e seus impactos e assim não avalia criticamente as questões éticas e de valores envolvidas na decisão de consumo, se limitando a indagar sobre a legalidade do que irá adquirir.

Helio Mattar esclarece que é fundamental não apontar o dedo para quem manifestou desejo em comprar um apartamento. “Esse é o contexto cultural da sociedade em que vivemos, onde não se desenvolve a sensibilidade para as consequências do consumo. Neste caso, as conseqüências dos empreendimentos sobre o coletivo da sociedade são evidentes e, ainda assim, a maioria das pessoas expressou sua aprovação quanto aos mesmos. Quando houver uma maior consciência dos impactos, as pessoas não comprarão produtos com fortes impactos negativos sobre a sociedade ou o meio ambiente. Hoje, para a maioria da população, ainda não é assim - hoje, se é legal, é ético”, completa.

A cultura social em vigor revela que não há preocupação com o outro, que só é levado em consideração o bem-estar próprio. “Caso se pensasse nas outras pessoas, no impacto que esses prédios têm em todos os demais, ninguém iria querer comprá-los. Quando todos tiverem a consciência de que não existe nenhum ato de consumo de produto ou de serviço que não traga consequências para a sociedade, o meio ambiente e a economia, e usarem esta consciência para tomarem decisões que melhorem, e não piorem, a sociedade, conseguiremos construir um mundo novo: uma sociedade mais sustentável”, conclui Helio.

Instituto Akatu pelo Consumo Consciente

Criado em 15 de março de 2001 (Dia Mundial do Consumidor) no âmbito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente é uma organização não governamental sem fins lucrativos que conscientiza e mobiliza a sociedade para o consumo consciente. A palavra “Akatu” vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, “semente boa” e “mundo melhor”, traduzindo a ideia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. Para o Instituto Akatu, o ato de consumo deve ser um ato de cidadania, por meio do qual qualquer consumidor pode contribuir para a sustentabilidade do planeta, seja com o consumo de recursos naturais, produtos e serviços ou pela valorização da Responsabilidade Social Empresarial. O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a preservação do meio ambiente e o bem estar da sociedade, refletindo sobre o que consome e prestigiando empresas comprometidas com a responsabilidade social. Contribuir para que o consumidor deixe de ser um espectador dos problemas derivados dos atos de consumo e passe a ser um agente das soluções é o principal objetivo do Instituto Akatu.

 


(Envolverde/Instituto Akatu. Disponível em: http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=70644&edt=1. Publicado na data em epígrafe. © Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.)

 
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