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Ecoando - Ecologia e Caminhadas

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  Diário de Trilha    
  Morro da Urca
06/03/2010
 
 

O sol que inicialmente apareceu tímido no início do dia acabou por dominar completamente o céu. Juntando com a lavação da atmosfera proporcionada pela chuva, o resultado foi um passeio com vistas limpas e matas verdejantes.

 

Iniciamos a caminhada às 8h20 na Praça General Tibúrcio, na Praia Vermelha, já compartilhando a curiosidade de que toda aquela baixada havia sido aterrada no final do século XVII pelos colonizadores. Ou seja, o Morro Cara de Cão (localizado ao lado de onde foi fundada a cidade do Rio de Janeiro), o Morro da Urca e o Pão de Açúcar eram separados do continente por um canal, formando a Ilha da Trindade.

 

Hoje estes dois últimos morros integram o Monumento Natural do Pão de Açúcar, unidade de conservação municipal que garantiu a proteção dos atributos ecológicos, paisagísticos e recreativos do lugar.

 

Subimos em aproximadamente quarenta minutos a trilha que vai da Pista Cláudio Coutinho, ou Caminho do Bem-te-vi, até o topo da Urca. A via estava bem manutenida, obra de escaladores voluntários da Femerj (Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro) que, com o apoio do Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, conseguiram instalar degraus de eucalipto tratado onde antes havia muita erosão. Parabéns a estes!

 

Quando ainda na subida, nos deparamos com os bonitinhos, mas “ordinários”, micos-estrela (Callitrix jaccus). Referimos-nos a eles desta forma pejorativa por conta do impacto que os mesmos costumam causar aos ecossistemas de nosso estado. Explica-se: esta espécie é originária do nordeste, de onde foram trazidos pelo ser humano. Chegando aqui e encontrando uma farta alimentação oferecida por pessoas encantadas com esses bichos, os mesmos se proliferaram de forma agressiva. Como esses pequenos primatas são onívoros –se alimentam de tudo-, não é raro variarem o cardápio com ovos e filhotes de pássaros, entre eles: sabiás, sanhaços, saíras, etc. Por isso as populações dessas espécies nativas vêm caindo drasticamente, segundo biólogos e outros especialistas, fora outros impactos causados pelos Callitrix. Daí, a mensagem é clara nessa história: NÃO ALIMENTE OS MICOS!   

 

Lá no topo, como esperávamos, havia muita muvuca de turistas, mas algo ainda bastante suportável. Lanchamos tendo à nossa frente a Enseada de Botafogo e a Serra da Carioca. O grande incômodo vinha do ruído do helicóptero que levava turistas para fazer sobrevôos de alguns minutos. Se nós ficamos incomodados, imaginem-se os animais! Por isso não nos demoramos ali, saindo para dar uma volta geral. Em alguns mirantes, aproveitei para falar sobre a história dos teleféricos, da cidade, da geologia local e sobre a geografia do lugar. Começamos a descida às 11h.

 

Uma vez lá embaixo, seguimos a Pista Cláudio Coutinho até o final. Apesar da beleza da paisagem marinha, notamos muito lixo se aproximando da praia. Lembramos também que a própria pista está construída em cima de duas grandes tubulações de esgoto, felizmente desativadas há algumas décadas.

 

Terminamos o passeio na Praia Vermelha às 12h30. Apesar do sol pleno, o calor não era insuportável como há algumas semanas. No entanto, era possível notar que estávamos numa “clareira” cercada de nuvens ameaçadoras, e que por isso havia grande probabilidade de os meteorologistas estarem certos em suas previsões. Dito e feito: caiu um dilúvio à noite, impossibilitando a realização da caminhada do dia seguinte (que foi adiada para o sábado posterior). Coisas de quem depende da natureza para seus afazeres...

 

 

Até a próxima trilha!

 

Cássio Garcez 

 
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