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Ecoando - Ecologia e Caminhadas

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  Diário de Trilha    
  Mirante do Imbuí
06/06/2010
 
 

Apesar de estarmos no outono, o clima era de auge de inverno: instável, frio e ventoso. O mar, de ressaca, chegava a encobrir a Ponta da Galheta (acidente geográfico que separa a Prainha do Praião de Piratininga).

 

Ou seja, o dia estava belíssimo e ideal para se caminhar. Felizmente duas ecoandistas foram corajosas (ou malucas) o suficiente para se inscrever e aparecer, caso contrário o feriadão passaria em branco, já que tivemos que cancelar as atividades de sábado (Morro do Telégrafo de Barra de Guaratiba) e de quinta-feira (Pedra da Gávea) por conta do tempo chuvoso.

 

Iniciamos a caminhada na própria Prainha, observando de perto as alterações aparentemente positivas proporcionadas pela abertura do túnel de ligação lagoa-mar, em pleno processamento por conta da ressaca. Notamos que havia mais aves (franguinhos d’água, maguaris, socós, biguás, colheireiros, garças), mais peixes e que a água da lagoa estava transparente. Havia também muitos pescadores o que, aliado à luminosidade e à placidez do espelho lagunar, formava um belo cenário, digno de ser eternizado numa pintura.

 

Entramos na trilha às 8h40, aproximadamente. O terreno estava bem molhado, mas, felizmente, havia poucos mosquitos devido à temperatura mais baixa. O caminho encontrava-se bastante desimpedido, certamente por conta de nosso trabalho freqüente de manutenção no local. Havia alguns desbarrancamentos novos, indicando a necessidade de contenção e novos trabalhos de recuperação.

 

Fomos bem até o colo onde se encontra um antigo pasto que dá acesso ao Mirante do Imbuí, objetivo da caminhada. O traçado da centenária trilha, neste ponto, estava claro por baixo da vegetação cerrada, só que, em determinado momento, fomos barrados por uma muralha de mato fechado caída sobre o percurso. Avaliei que seria melhor não enfrentar o obstáculo, até porque isso exigiria muito tempo e não menor esforço para reabrir o caminho. Assim, demos meia volta e fomos em busca do Mirante da Tapera, próximo dali. No final das contas, não ficamos tristes com a mudança de planos, sabendo que desta forma o lugar ficará ambientalmente mais protegido devido à sua inacessibilidade. Pelo menos é o que esperamos...

 

Ao tomar o rumo do outro mirante, percebemos que o mato também havia se desenvolvido mais do que o normal, talvez devido às chuvas que não vêm respeitando a época que deveria ser de estiagem. Tive muita dificuldade em achar a picada, engolida que estava pela vegetação. Mas, após trabalho árduo de desbaste (apenas do traçado, ainda assim só o suficiente para nossa passagem), conseguimos chegar ao afloramento rochoso de vista espetacular, às 12h.

 

O impacto de quem sai do mato fechado e se depara com um inusitado cartão-postal vivo é inevitável. As expressões de surpresa e encantamento são inevitáveis neste momento. Mas também não é para menos: dali é possível apreciar desde a Serra da Tiririca e as Ilhas Maricás por trás do conjunto rochoso mais notável daquela (Alto Mourão e Costão de Itacoatiara), passando pelo litoral oceânico niteroiense, até a entrada da Baía de Guanabara e algumas das principais montanhas, pedras (como o Pão de Açúcar) e praias do Rio. Isso num dia extremamente claro, de condições meteorológicas diversificadas – até chuvisco pegamos – e de clima serrano. Um verdadeiro presente dos deuses!

 

Ficamos nesse nosso camarote privilegiado por mais de uma hora, tentando nos esquentar como calangos no tímido sol de outono. Aproveitei a preguiça geral para insistir numa via alternativa para o Mirante do Imbuí, seguindo a cumeeira do mesmo contraforte, desistindo logo a seguir por conta do mato impenetrável.

 

Saímos dali às 13h30. Ainda trabalhei um pouco mais no desbaste de parte do caminho, garantindo que ele se mantivesse pelo menos durante mais alguns meses até nosso retorno àquela área. Ao chegar às trilhas mais desimpedidas, descemos rapidamente. Chegamos ao final do trajeto às 15h, aproveitando para catar o lixo que alguns moradores jogaram no portal da trilha.

 

Parabéns às guerreiras!

 

Até a próxima trilha.

 

Cássio Garcez

 
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