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Ecoando - Ecologia e Caminhadas

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  Diário de Trilha    
  Morro do Telégrafo de Barra de Guaratiba (adiado de 05/06/2010 por causa de chuva)
12/06/2010
 
 

Mais uma vez o dia amanheceu carrancudo, como no sábado passado, motivo do adiamento da atividade para hoje. A grande diferença desta data para aquela, porém, eram as previsões promissoras da meteorologia. Com base nelas e também em minha intuição, confirmei o passeio – ainda que alguns inscritos demonstrassem insegurança e incredulidade, sentimentos bastante naturais devido às chuvas de abril passado. Felizmente fomos tomos recompensados em nossa perseverança com a abertura do tempo, que tornou ainda mais agradável aquele dia com cara de inverno, apesar de ainda ser outono.

 

Iniciamos a subida às 9h e pouco. Seguimos a escadaria da Igreja de N.Sa. das Dores até o Caminho dos Pescadores, onde continuamos a ascensão até a cumeeira da Serra Geral de Guaratiba. Caminhamos lentamente sorvendo aos poucos as muitas belezas e curiosidades daquele lugar. Interessante notar que a trilha, bem limpa e manutenida, é praticamente toda sombreada pelas árvores plantadas num dos muitos reflorestamentos da prefeitura  do Rio. A propósito, até alguns anos atrás, ali só existia capim colonião, assim como na trilha para as praias dos Búzios e do Perigoso (localizada um pouco mais adiante de onde estávamos). Um trabalho árduo de formiguinha que deu bons resultados e ajuda bastante no fortalecimento dos serviços ambientais (como contenção de encostas) e nas caminhadas. Parabéns aos idealizadores, aos executores e aos trabalhadores dessa iniciativa!

 

Às 10h20 chegávamos ao primeiro mirante, localizado sobre uma rocha arredondada, com vista para a Restinga de Marambaia. Apesar do manto de nuvens na Serra do Mar, era possível identificar os contornos da Ilha Grande, além das ilhas de Marambaia, Jaguanum e Itacuruçá. Aproveitei para falar da história geológica daquela língua de areia, além do seu uso no século 19 como ponto de desembarque de escravos traficados pelo comendador José Joaquim de Souza Breves, um dos maiores escravocratas do Brasil e dono de uma das maiores riquezas que já existiram por aqui em todos os tempos. Tiramos muitas fotos e prosseguimos a caminhada.

 

Às 11h chegávamos ao amplo cume, tão rico em histórias e “causos” quanto em belezas e paisagens. Lá em cima existem quatro mirantes, um voltado para o leste, dois para o sul e um com vistas tanto para o leste, quanto para o sudeste e o oeste. Visitamos todos, mas ficamos neste último por estar mais abrigado do vento frio que soprava do sul. Ali contei para os ecoandistas algumas das principais curiosidades ligadas ao local.

 

A primeira delas, diz respeito ao fato de que aquele cume sediou um destacamento militar na Segunda Grande Guerra, segundo alguns autores um posto de observação de submarinos e outros uma bateria antiaérea. Acreditamos ser mais factível a primeira versão, já que seria bastante improvável um ataque aéreo em país tão distante das bases germânicas. Essa opinião é corroborada pelos vários ataques dos U-boats (como também eram conhecidos os submarinos alemães) a embarcações brasileiras em águas territoriais, história que contamos em detalhes lá em cima. Curiosamente, a construção do perfil gastronômico de Barra de Guaratiba também tem ligação com esses tempos de guerra.

 

Explica-se: como a logística de montar uma cozinha no topo do morro de 355m de altura era bastante complexa, o comandante do posto militar optou por contratar os serviços culinários de dona Palmyra Teixeira Ribeiro de Souza, moradora das imediações do destacamento, para alimentar os soldados. Três décadas depois, a filha, Palmira de Souza Leal – a Tia Palmira -, passou a fazer o mesmo, desta feita para matar a fome de surfistas e turistas, criando assim a tradição dos restaurantes de frutos do mar perfilados ao longo da Estrada Burle Marx.

 

Por fim, contei também sobre os vários avistamentos de uma luz que aparece de vez em quando no alto do morro e desce pelo seu lado esquerdo, desde o século 19, sugerindo OVNIs (objetos voadores não identificados, ou os vulgos discos voadores). Há até um livro com o título “A Montanha da Luz Caminhante”, o que indica a freqüência e a amplitude desse estranho fenômeno. Mas, não avistamos nada mais do que as belas paisagens litorâneas da região, o que já estava de bom tamanho...

 

Começamos a descida às 12h30, aproximadamente, chegando às 13h e pouco lá embaixo. Aproveitamos e esticamos até o restaurante Garota de Guaratiba para comer seus saborosos pasteis de camarão e, quem não estava dirigindo como eu, beber uma cerveja geladinha... Ai, que água na boca!

 

Até a próxima trilha!

 

Cássio Garcez

 
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