|
• Instantes
Por: Jorge Luiz Borges ou Nadine Stairs
Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e profundamente cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria. Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; não percam o agora. Eu era um daqueles que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo.
(Poema de autoria atribuída ao escritor argentino Jorge Luiz Borges, mas recentemente contestada como sendo de Nadine Stair. Disponível em: http://www.releituras.com/egomes_borges.asp. Acesso na data em epígrafe) • Ecolanche na Mata
Por: Cristiana Seixas
Saudades da Floresta, dos amigos, do clima ameno, de mim. Sensação de alívio pelo retorno ao lar. Timidez de criança que diz o nome e esconde o rosto. À mata, pedido de permissão no início e agradecimento no final. Caminho plano e pleno. Surpresas a cada passo: orelha de pau, escada de macaco, pau ferro, casa de cupins, ninhos, borboletas, pontes e riachos. Tão próximos à cidade, tão distantes da maior parte das pessoas. Lanche farto pela generosidade do compartilhar. Sugestão de unir Ecolanche com Baianada. Muitos bocejos. Grande família de quatis. Inúmeros filhotes em busca de alimento cruzando o caminho sem medo. Enorme eucalipto trançado de madeira esponjada, hidratada de água e seiva, cor de terra, rumo ao céu, merecedor de grande abraço coletivo. Veneração e respeito pelo elo da terra com o céu. Pegadinha de poste camuflado de árvore. Muitos recados às criança na intenção de manutenção da vida, da formação precoce de consciência. Três horas potencializadas pelo poder calmante e regenerador da natureza. Gratidão no coração. • SALVEM AS ÁRVORES
Por: Cássio Garcez
Bendita árvore da vida,
seja de mato, de fruta, de flor.
Passarinho em teus galhos tem guarida,
sob tua sombra fugimos do calor.
Tu nos proteges do vento e do sol,
na terra fazes a água ir fundo.
Seguras encosta e alimenta lençol,
quanto bem fazes ao mundo!
Dá pitanga, dá ingá, dá cajá,
dá fruta pra tudo quanto é gosto.
Também flor como do ipê e do manacá,
refresca a brisa no teu rosto.
Obrigado árvore bendita,
pelo verde da paisagem.
Tem gente que não acredita
no poder de tua folhagem.
Perdão para quem não te respeita,
Aqueles que te ferem e te cortam.
Lamentável compreensão estreita,
conseqüências de que não se importam.
Salvem as árvores, por favor!
Exaltem seu imenso valor.
Parem o machado, a motosserra, o trator.
Tratem delas com mais amor! • ECÔO E ANDO
Por: Marcelo Senna
ECOANDOECOANDOECOANDOECOANDOECOANDOECOANDOECOANDO
Ecôo e ando. E sei que andar ecoa em mim. E agora eu conheço este vento na janela com outro fervor. E posso abri-la inteira e deixar este vento entrar inteiro em mim. Agora conheço o horizonte e o mar, que é a pura difusão do infinito. Agora conheço todos os carneirinhos do mar e à noite posso dormi-los contando. Agora que pude respirar o ar úmido da mata, agora que pude pisar a terra molhada. Igreja de pedra. Pedra Santa, Pedra Mãe. Por que do teu nome, Alto Mourão? Por que do teu amparo, de ar puro e magnético? Por que do teu vento, de força de pedra pura?Por que de tua filha, de tão pura pedra tartaruga? Por que de tanta purificação. Por que desta tanta vontade de olhar para o alto, para o mais alto, para o céu sublime e etéreo, céu azul, céu estrelado? Ai vento que seca a minha alma, voa a milha alma, voa a minha alma. Ai vento de sal de mar de frio. Ai vento de pedra palmeira do lagarto gigante meu mestre, meu ancestral. Ai vento que voa a minha alma, voa a minha alma, voa a minha alma. Por que do teu nome Alto Mourão? Por que de tanta purificação? Eu sei que ouvi dizer de gente antiga que o lugar é que torna a gente santo, e a gente fica santo pra fazer mais gente santa pra tanto lugar, pra tanto lugar que a gente quer que seja de tanta santidade que já é. De tanta santidade que já é, que a gente quer, que a gente quer, que a gente quer. Alto Mourão, que eu quisera ser tão alto pra saber agradecer à tua altura. Homem alto e santo que torna a gente santa. Agradeço e ando.
Ecoandoecoandoecoandoecoandoecoandoecoandoecoandoecoandoecoando • CHUVA
Por: Declev Reynier
Chuva que cai em gotas
Que se unem em um mesmo destino
Se infiltram na terra formando nascentes
Que descem aos rios
Cortando cidades, levando navios
Crescendo ao mar no imenso vazio
Esquenta-se até subir ao céu como vapor invisível
Se une novamente como nuvens
Até que ressuscita em água da chuva
Que cai em gotas
Que se unem em um mesmo destino
Se infiltram na terra
E são sugadas por uma raiz sedenta
Se transformando no corpo de uma planta
Que transpira lançando-a ao espaço
Lá onde se unem formando as nuvens
Que ressuscita à terra em água da chuva
Caindo em gotas
Que se unem em um mesmo destino
De serem engolidas por um animal
Que sua e evapora esse suor
Que vai ao céu
Onde se une formando as nuvens
Que ressuscita à terra em água da chuva
Caindo em gotas
Que se unem em um mesmo destino
(Disponível em: http://hebdomadario.com/category/poesias/ )
• TIRIRICARTE
Por: Cássio Garcez
Nosso Parque Estadual
da Serra da Tiririca
é lugar fenomenal.
A razão logo se explica.
Lá no Alto Mourão,
também chamado Elefante,
tem-se inigualável visão
de paisagem deslumbrante.
Mas não é só encantamento
que oferece nossa serra.
É qualidade cem por cento
na vida do povo desta terra.
É água na nascente e no poço,
e ar puro a todo momento.
É refresco pro velho e pro moço,
e encosta sem desmoronamento.
Traz passarinho pro quintal.
Faz barreira contra o vento.
É refúgio pro animal.
Vale mais que no documento.
Cantemos em verso e em prosa
a importância desta serra.
Salvemos nossa Tiririca generosa
do malvado corte da motosserra!
• PRESERVAÇÃO COM ARTE
Por: Cássio Garcez
No ambiente natural,
existe planta, bicho e mineral.
Lugar assim, poucos têm restado igual.
Fugindo da destruição,
ali existe proteção.
Ainda assim, é preciso sua participação.
Use a trilha certa.
Evite a descida reta.
Atalho é ferida aberta.
Deixe a planta no chão.
Leve o lixo pro latão.
Taí a boa educação.
Caminhe com pouca gente,
pois protege muda e semente.
Impacto, assim, pouco se sente.
Fale com calma
para não espantar a fauna.
Isto faz bem à alma!
Não faça fogueira.
Guarde guimba, bagana ou outra besteira.
Incêndio não é brincadeira.
Caçar é covardia:
mata a mãe e a cria;
some com o bicho que já pouco se via.
Denuncie o que é errado.
Sensibilize o mal informado.
Peça ao turista: seja educado.
Vamos lá: faça a sua parte!
É sua responsabilidade, não descarte!
Preserve a natureza com arte!
|